quarta-feira, 3 de junho de 2009

pensamentos, dúvidas e fracassos..


Já faz algum tempo, em que eu pensava em não acordar amanhã. Eu queria "matar" alguém que eu detestava. Não sabia que existiam dentro de mim, outras gabrielas que eu saberia amar.
O que faz uma pessoa detestar a si mesma?
Talvez a covardia. Ou o eterno medo de estar errada, de não fazer o que os outros esperam. Ainda ontem estava alegre, esqueci as lembranças do amor adormeçido; quando a inquietude fez com que automaticamente meus dedos começassem a digitar este texto, voltei a entender a situação em que me encontro, então, fiquei assustada. As palavras pronunciadas em um momento não oportuno, ainda ecoam como sinos na minha cabeça. Afinal, o que eu quero aqui, escrever como é insuportável essa dor de não conseguir esquecer, ou porque ainda choro, ou porque ainda sinto o que não deveria sentir? Ás vezes esqueço que sou ser-humano, que sou absolutamente normal, com desejos e medos comuns ao de todo mundo, e que me fazer esse tipo de pergunta - agora que já é tarde - só me faz entrar em pânico. Muitas vezes enquanto caminhava pelas ruas, saíndo da rotina e bebendo diáriamente, algumas vezes com a certeza de que dormiria fora de casa me dava conta de que era tarde demais. Já não conseguia controlar o meu medo.
"Preciso me controlar, sou alguém que leva até o fim qualquer coisa que decide fazer". É verdade que eu levo até as últimas consequências tudo que faço em minha vida, mas só o que não é importante - como prolongar brigas que um pedido de desculpa resolveria, ou deixar de ligar para o homem que amo, por achar que essa relação não vai me levar a nada. Fui intransigente justamente naquilo que era mais fácil: mostrar a mim mesma minha força e indiferença, quando na verdade sei que sou uma mulher frágio, que jamais consiguirá se destacar nos estudos, nas competições esportivas da escola, na tentativa de manter a harmonia em meu lar.
Superei os meus defeitos simples, só para ser derrotada nas coisas importantes e fundamentais. Consegui passar a aparência de mulher independente, quando sabia que eu necessitava urgentemente de uma companhia. Chegava nos lugares e todos me olhavam, "é um mél, é um mél.. que eu não sei de onde vem" dizia a minha melhor amiga, mas eu geralmente terminava as noites sozinha, em casa, olhando a televisão até pegar no sono. Dei a todos os meus amigos a impressão de que eu era um modelo a se seguir - e gastei o melhor das minhas energias tentando me comportar à altura da imagem que eu criei para mim mesma.
Por causa disso, nunca me sobravam forças para ser eu mesma - uma pessoa que, como todas as outras do mundo, necessitam dos outros para ser feliz. Mas, agora estou em paz, penso eu.

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