segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Coisas de mulher



Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar “the big one”, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo para o alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Deep, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.

Eu só conheço mulher louca. Pense
em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se "vontade de viver até a última gota". Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

sábado, 19 de dezembro de 2009

A Passagem do Tempo



Minha mãe sempre me dizia que "o tempo é senhor de tudo". Eu era daquelas crianças que estavam sempre ansiosas, dava um passo pensando no passo seguinte e tudo na minha vida tinha uma certa urgência. Não sei dizer se as coisas agora estão diferentes, ainda tenho por vezes este sentimento de urgência, mas aprendi ao longo do caminho, que tudo tem o seu momento para acontecer, e por mais que o desejo seja enorme, por mais que a vontade de interferir na ordem natural do universo seja angustiante eu pouco ou nada posso fazer. Tenho a sensação de que tudo existente no mundo segue um tempo diferente do próprio tempo em si...

Assim, por vezes perdi o momento de dizer o "eu te amo", "o me desculpe", "o volta pra mim".... bem como "o basta", "o siga seu rumo".
E percebi nos momentos seguintes que a vida seguiu adiante, que outras possibilidades surgiram, que outros sentimentos nasceram, que para cada final existe sempre um começo, como um ciclo que se repete sem fim. Mas diferente dos ciclos de uma forma geral, nós podemos fazer as coisas diferentes, podemos interferir em alguma coisa o andamento dele, algumas vezes para o bem, outras não.

A Ordem das Coisas

"Quando você perceber que eu era único, talvez eu descubra que você foi só mais um..."

Li esta frase em um perfil de orkut estes dias, em meio a saudade daquilo que possuo e até daquilo que não possuo, e fiquei pensando um pouco sobre o que realmente estas palavras poderiam significar. Me fiz algumas perguntas, como por exemplo: Será que em algum momento de nossas vidas chegamos a ser únicos na vida de outra pessoa? E se formos, será que alguém que foi único pode simplesmente se tornar "mais um"?

Ora, somos aquilo que vivemos, cada passo dado faz parte de nossa história, de quem somos neste exato momento, então pensando desta forma, um alguém único não pode jamais se tornar mais um, será um alguém que foi único durante um determinado tempo, porém deixou de ser. Ainda que "ser único" na vida de alguém me pareça uma atitude bastante egoísta, e os amigos? E a família? Ninguém nasceu das pedras (apesar de algumas pessoas acreditarem nisso).

Me faz pensar numa passagem que dizia: "não te quero só para mim, e nem poderia, quero-te para ti mesmo e para tua própria vida, quanto mais fores o que quiseres, mais serás o que eu queria". Talvez ser único na vida de alguém implique em posse, em tornar-se objeto desta pessoa, viver para e por alguém. Mas será que nesta condição temos amor de verdade?

Não sei se algum dia fui única na vida de alguém e também não tenho certeza se quero isso, sei, e tenho certeza disso, de que fui a diferença na vida de algumas pessoas. E até pode ser que para alguns eu tenha me tornado mais uma... mas arrisco a dizer que tenho dúvidas quanto a isso, não entro na vida das pessoas para deixar tudo como está... e nem para sair como entrei!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Como poderia ter sido (mas não era pra ser).


Engraçado constatar que, depois de todo esse tempo, eu ainda penso em você. É bem verdade que isso vai contra a minha vontade de permanecer indiferente toda vez que te vejo, ou que nos falamos pelo telefone, mas é um sentimento estranho que nem eu saberia definir, uma coisa meio incontrolável de sempre te querer por perto, mesmo distante de mim. Os cumprimentos socialmente exigidos e os assuntos muito rapidamente criados durante uns poucos minutos de conversa atropelada são o suficiente para me manter ligada à você a noite inteira. Como se, só pelo fato de estares ali, dentro do meu campo de visão, te tornasses um pouco meu. Um pouco dentro do meu mundo, da minha rotina, da minha vida, como um dia quis que fosse.

Normalmente, quer dizer, digo isso na relação atual que recriamos, não falaria nada além do básico tratamento de quem finge não estar aí pros acontecimentos. Até porque te fechaste pra mim de tal forma que senti, de longe, a tua repulsa. Era mesmo repulsa, afinal? Era uma incógnita que muito me invadia os pensamentos. Aprendi a te reconhecer com o tempo. Vi em muitas das tuas atitudes uma certa auto-proteção. Comecei a perceber, assim, bem aqui dentro e sem compartilhar com ninguém, que o que fazia te afastares era justamente o medo diante de mim. Como se de alguma forma eu te assustasse ao se deparar com alguém que, sim, confiava em ti, sim, acreditava em ti, e, sim, gostava de ti.

Vi que tentavas me mostrar, a todo custo, que eras uma pessoa complicada. E quando em algum momento te falei, de coração praticamente inteiro nas tuas mãos, que eu estava contigo porque me passavas segurança, a indignação contida naquela tua resposta - que não passou despercebida aos meus olhos - me mostrou que o problema estava além dos pequenos vai-e-vem causados pela inconstância de nós dois. Estava todo ali, em você. Não que eu fosse a dona da verdade. Mas o fato é que aquela atitude transpareceu de forma clara toda uma insegurança fruto de relacionamentos passados. E quer jeito pior de se confundir do que comparar os amores que tivemos com o que vamos ter? Inevitável, eu diria. Só que, às vezes, perdemos oportunidades por não termos a coragem de encarar, jogar-se de cabeça, entregar-se por completo e amar. Mas amar muito. Então, tudo se vai sem nenhum pingo de emoção. Perde-se o tempero da vida. E eu bem sei como é difícil ultrapassar essas barreiras.

Eu muito quis ficar do teu lado, tu sabes. E acho mesmo que seríamos bem felizes, se tivesses ao menos dado uma chance para reparar os meus erros. Ou melhor, se ao menos tivesses dado uma chance para você mesmo. Porque sentimento era o que não faltava. O que realmente desfalcava era a sua eterna luta contra o próprio eu . Como se não fosse digno de ser amado. Ou pior, como se não fosse digno de ser amado por mim. E, mais ainda, de amar em reciprocidade. Esqueça a idéia de que ser complicado é apaixonável. O fato de ter visto em ti o meu porto seguro já era motivo suficiente para querer estar do teu lado uma vida inteira. E aquele nosso jeito tão cúmplice nos fazia completos. Um para o outro. Mas não enxergaste tudo isso. Aliás, até enxergou sim. Só não te permitiste viver esse amor por puro susto.

E agora que tudo voltou ao normal e a nossa relação não passa de uma simples cordialidade do acaso, eu penso se as coisas eram mesmo pra ter acontecido desse jeito. Entristece-me saber os momentos lindos que perdemos naquele ambiente dos nossos planos sem ao menos dar-nos um beijo. Entristece-me imaginar como seria se, ao menos uma vez, tivesses sentado ao meu lado para me dizer coisas bonitas. E como seria se, após uma conversa arrastada, soltássemos verdades engatadas, culminando com o mais sincero dos abraços. Entristece-me imaginar porque seria mágico. Tudo seria muito perfeito. Perfeito o suficiente para me reapaixonar por ti. Para querer montar novamente o nosso ninho, ter de volta os nossos carinhos, renascer no nosso mundo que há tempos já morreu.

É o que eu sinto quando nos falamos. Sobrevivendo das tuas migalhas, os meus pensamentos procuram involuntariamente uma resposta. Aquela que eu já conheço, mas que reluto em aceitar. Não era pra terem acontecido os encontros. Não era pra ter rolado o beijo. Não era pra teres sentado do meu lado. Não era pra termos conversado. E nem pra rolar um último abraço. Simplesmente, não eram. Porque tu és mesmo aquela pessoa complicada que querias que eu visse. E perdes mesmo as oportunidades que te aparecem. Agora que meu coração já consegue te olhar distante da loucura, eu digo que mereces mesmo alguém melhor do que eu. Juntando o teu ceticismo com a minha credibilidade, constato: éramos muito mais do que isso. Ainda que meu ego insista em querer te fazer sentir, aqui dentro, eu não sinto mais. Apenas matuto, como uma eterna aproveitadora dos pequenos momentos, o como seria. E.. ah... como seria perfeito. Ou melhor.. como poderia ter sido (e não era pra ser, como você mesmo disse).


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Misto de sentimentos dentro de mim...


E hoje tudo aconteceu conforme o planejado. Acordei às 11:17h já que eu fui dormi 03:47h da madrugada. Tomei café, quase não mais da manhã, mas café. Tomei banho, me arrumei e desci pra tomar banho de piscina. Sem sol, mas durante 37 minutos, sem chuva. Subi, almoçei, fiquei por aqui pela internet, e fui pro cinema. Assisti "Lua nova" e foi perfeito! *-*



Então, repito: "tudo conforme o planejado". Exeto, pelo misto de sentimentos saudosos e confusos que da madrugada de ontem pra cá, resolveram invadir meus pensamentos. E isso, não tem nada de planejado. Porém, fez com que eu peguasse o telefone e ligasse para o causador de todo esse tormento metal. A ligação foi muito amigável, mas não posso negar que foi bem menos do que eu esperava. Talvez, eu quizesse ouvir algo, como:

"Eu tô bem. Eu vou embora em janeiro. Mas, de tudo que eu vivi nesta cidade, aquilo que mais me fará falta e mais me trouxe felicidades e fez de mim uma pessoa melhor, foi sem dúvidas você. A mulher que eu amei, que me mostrou e me ensinou a amar. E a mulher, que talvez eu ainda ame, mas não queira assumir em voz alta, até este momento".

Certamente, eu só posso ter pirado! Ou talvez, o fato de saber que alguém que eu amo muito vai embora pra outra cidade, pra longe de mim, em pouco menos de um mês, ME ASSUSTE, ME APAVORE E ACABE COMIGO TOTAL. Eu sou mesmo muito sentimental, e dramática como ele diz. Eu não queria ser, mas sou.


A verdade é que os meus sentimentos se confudem, assim, diáriamente. Não sei mais o que sinto por ele ou por outros, se os amo ou não. Ou não sei se deixei meu coração confundir uma grande amizade com paixão.


E eu me encontro aqui, agora, me questionando com os "talvez" que a vida oferece.


Talvez o verdadeiro amor nunca acabe, talvez nada disso faça sentido no final da minha jornada, talvez eu apenas fantasie o que sinto (transforme tudo em uma linda e trágica historia de amor), talvez nada disso seja possível agora, talvez seja mais tarde, talvez eu mude de idéia, talvez eu continue com as mesmas convecções, talvez ele fuja, talvez fique, talvez ele volte, talvez tudo mude, talvez eu seja uma idiota. É,talvez eu seja mesmo uma idiota que escreve coisas idiotas sobre sentimentos que nos tornam idiotas. Talvez essa seja a grande delicia e louca da vida, ou talvez todos nós devêssemos ser idiotas. Uma grande e bela idiota!
Mas, só talvez.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Aos que não enxergam.


"Não, você não sabe. Você não sabe como eu tentei me interessar pelo desinteressantíssimo." (Caio F.)

Sou alma e coração, energia em movimento, o extremo dos sentidos, a explosão dos sentimentos. Sou o que condenam e o que admiram intimamente, a experiência dos que só imaginam e não fazem, a reviravolta do normal frente ao diferente apaixonante. Eu fujo dos instintos competitivos, sou a paz de uma vida sem concorrências, onde viver feliz depende daqueles que nos rodeiam e da simplicidade de um mundo à parte do consumismo desenfreado. E quando falo em consumismo, falo em todas as suas variações, consumo de coisas, de notícias, de pessoas, as últimas principalmente, consumir pessoas assim como se consome cigarros, “a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou”.
Odeio a superficialidade dos encontros forjados e das conversas sem profundidade, gosto mesmo é de envolvimento, conhecer o outro, entrar na realidade de um estranho, permitir que se aproximem de mim e me acrescentem. Não vejo nexo em beijos sem sentimentos e amor sem... amor. Eu sou o tipo de pessoa que mergulha de cabeça nas coisas, independente das circunstâncias. Gosto mesmo é dos pequenos prazeres, um pôr-do-sol num domingo, uma cerveja na praia ou uma noite quietinha em casa com alguém especial. Não tenho paciência para buxixos, tampouco para olhares tortos em um ambiente de aparências. Por isso, prefiro me ausentar dos que me parecem pequenos a ter que sustentar sorrisos forçados. Não consigo mentir o que sinto.
Tenho gênio forte, uma rebeldia que me cega e uma transparência que às vezes me trai. E apesar de levar a vida nas extremidades – o que me faz gritar de felicidade e morrer de tristeza em curtos períodos de tempo – sinto que, se não fosse assim, morreria mesmo é entediada. Melhor viver sentindo do que a apatia de apenas existir. Mas, além de tudo, sou alguém que ainda acredita nas pessoas. Ou pelo menos no que há de melhor delas. E ainda que, dia após dia, passe por provações que poderiam me fazer desistir, eu não me abalo. Desistir não é nobre. Acreditar sempre foi o primeiro passo dos visionários. Basta enxergar além do que se vê. Afinal, o plano é apenas ser feliz. Não é?

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os pensamentos...




Estou em semana de provas e entregas de trabalhos, tenho estado em casa a maior parte do tempo fazendo trabalhos, digitando textos, pensando... por alguma obra do destino meu namorado e os pseudos-amigos se mandaram, o que me garante uma tranquilidade extra.

Talvez justamente por isso meus pensamentos vão se perdendo... começam em algum tópico do trabalho do momento, e inícia uma longa viagem pelo passado, pelas coisas ditas e ouvidas, aquelas que ficaram presas na garganta, e ai me dou conta de que não foram poucas. Acabo sentindo saudade de amores distantes e agora impossíveis, sinto falta da presença de quem nem quando estava junto estava presente, me permito ao estranhamento de mim mesma e a dúvida de ter feito escolhas adquadas.

E parece que até o universo percebeu este meu momento, e no fim da tarde fez cair sobre a cidade um temporal... poderia ser uma chuva de sapos, como em Magnólia, indicando que novos ventos começarão a soprar... tive vontade de encher balões coloridos e sair voando por ai, mas me faltou companhia.

E a chuva passou, o sol se pôs... e eu fiquei aqui, entre trabalhos de faculdade e pensamentos indevidos, ou devidos mas não próprios!!!

Segundo Pablo Neruda...

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Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pingos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente
as que resgatam o brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, corações aos tropeços, sentimentos...
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Desabafo !

Sim, eu sou sensivel ! E magôo por falta de atenção.

Sou daquelas pequeninas, que precisam de proteção. Do abraço sincero, do sorriso acalentador, do ombro amigo, da lembrança em um dia qualquer.
Idealizei pessoas, criei fantasias. Aqueles "melhores" amigos, aqueles que eu costumava guardar na caixinha de coisas mais preciosas, talvez existissem só no meu mundo.

Hoje me sinto um pouco sozinha. Abandonada pela minha ilusão: de que eu fosse importante pra eles, tal qual eles eram pra mim.

A conclusão que tenho no momento, no entanto, é dura e fria, porém sinto que é a mais pura realidade: tudo aconteceu somente no meu coração.

As vezes, penso que eu me entrego demais, assim, "de corpo e alma", "pro que der e vier" e 'sem nada pedir em troca", mas não é bem assim que as pessoas agem comigo. E isso me entristece, me faz desacreditar em tudo.

Mas, hoje como nunca, não espero mais. Não lamento pelo que não houve, pelo que poderia ter sido e não foi.

O meu momento agora é muito melhor do que eu poderia sonhar que seria, estou seguindo em frente e sem vontade de parar e nem voltar. Apenas, seguir. Abandonar as ilusões e, saber distinguir aqueles que usam máscaras dos poucos que não usam.

Meu ciclo é novo. E eu gosto dele, exatamente como tem sido. Pessoas que sabem retribuir uma emoção. Pessoas essas, que eu sinto que me querem de coração.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O amor é um prego na bunda...

Aula de teoria literária e o professor está mais uma vez discorrendo sobre como nosso conceito de concreto e abstrato está invertido:

“O conceito de mesa é completamente abstrato. O amor é que é concreto. Se eu sentar na cadeira e tiver um prego, vai doer, isso não é abstrato. O amor também não é abstrato, eu sinto! Mas não quero chegar a dizer que o amor é um prego na bunda”.

Eu digo que é sim.

Um bom exemplo de prego na bunda (e juro que não estou pensando em conotações sexuais) foi um cara que conheci em 2005, o ano divisor de águas. Nos conhecemos num momento propício, pois eu tinha acabado de resolver me apaixonar e ele tinha todas as expressões faciais necessárias para tal. Era tão exato que assustava. Assim, cismei com o imbecil. Digo isso agora só pra deixar claro que eu sempre soube que ele era um imbecil. Mas sabe como são as coisas… quando você vai ver, já está fascinada por eles.

Entregue ao paradoxo da esquizofrenia da personalidade dele mascarada pelas covinhas que resultavam daquele sorriso enorme (e eu adoro, adoro, adoro sorrisos) e entediada pela falta do que fazer, dediquei meses do meu tempo a ele. Em vão. E tudo por alguém que eu já sabia que não me faria bem algum. Porque é assim: a gente se esforça pra conseguir a Pessoa, sem nenhuma garantia de retorno, tendo duas opções, a) conseguir, b) não conseguir. O problema é que o “conseguir” se divide em outras duas opções, a) dar certo, b) não dar certo. E é tanta coisa que precisa dar certo pra poder DAR CERTO, que dá uma preguiça…

Porque quando você consegue e não dá certo, não vem ninguém te dar o dinheiro de volta (e eu nem acredito em quanto dinheiro gastei atrasando minha vida…). Depois que você senta no prego (juro, sem trocadilhos), ninguém aparece pra tirá-lo da sua bunda. Você que levante, que sinta o prego saindo e ainda agüente depois a dor que fica até o buraco fechar.


É claro que tem as coisas bonitas também, é claro que tem. Tem prego que dá vontade de nem arrancar, ou de guardar no bolso depois (guardo um ou dois). Mas a parte óbvia pela qual lutamos no pacote é garantida: primeiro, o susto, por fim, a dor (e, eventualmente, uma cicatriz que dá coceira).

Eles não mentiam


Ele não a intendia, era simples assim, ele nem fazia esforços para entendê-la. Ele prefiria sair de casa a noite e ir dormir no amigo, do que conversar com ela, ele tinha mais facilidade de discutir do que elogiar. Ele gritava, berrava, fazia chantagens. Ele morria de ciumes. Ele trocava ela pelo futebol no sabado com os amigos, mas ele nunca, nunca mentia para ela. Agora ela era quieta, não abria a boca nem para um A, ela concordava com tudo, era submissa, ela falava com as amigas pelo telefone, nunca trocava sair com ele, por sair com elas, mas aos sabados, ahhh os sabados, enquanto o marido ia no futebol, ela saia com o seu amante, ela também não mentia para o seu marido, apenas ele nunca tinha lhe perguntado sobre isso. Cada um tem sua forma de estravazar o estresse, esse era o dela.

Hoje eu me basto

Não tenho mais idade para sofrer e me descabelar por homens. Eu com os meus poucos vinte anos falando isso, soa mais como se eu fosse uma velha mal amada! Cheguei a um ponto que cansei de chorar em filmes romanticos à espera de um mocinho que largue tudo e todos por mim. Na tv tudo soa mais fácil e mais bonito. Na realidade esses romances não duram mais do que uma estação, e isso me enjoa. Pra falar a verdade odeio homens que largariam tudo por mim, odeio mocinhos, odeios principes e cavalheiros. Hoje me descobri, descobri que não somos metade de uma laranja à procura da outra que nos complete. Nascemos por inteiro! Aprendi a arte do desapego, do "desamor". Tudo fica tão mais fácil assim, mais simples. Aprendi a me entregar por inteira e ao mesmo tempo saber que pessoas saem da nossa vida por detalhes tão pequenos. Aprendi principalmente a me amar em primeiro lugar. Sou única! E hoje isso me basta.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os beijos se evaporam

Que difícil aceitar a derrota de um amor,
em que você e eu lutamos com a alma até o final.

Somos testemunhas mudas da agonia de nosso amor.

E destroem-se os sonhos,
Evaporam-se os beijos,
Dissolve-se sua imagem, mas você continua em toda a parte...

Levo você em mim, como as ondas são levadas pelo vento.

Como uma fonte no deserto
é você para mim.

Vejo você em mim como uma miragem
que aparece e desaparece
deixando só a realidade...

Como um dragão que luta e morre
fiquei sem asas e sem ginete...


(Confissão deste poema: O final foi inspirado em um filme Eragon. Cada dragão tem seu ginete para lutar nas batalhas, e eles chegam a ser tão unidos que veêm com os mesmos olhos.
Se matam seu ginete o dragão morre automaticamente, não sobrevive sem ele. Mas se o dragão morre o ginete pode continuar. Disso trata este poema. No final, o dragão luta com o ginete e fica sem asas, morre... mas o ginete segue seu caminho).