sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Com açúcar e com afeto


Abri a caixa de coração e encontrei lágrimas que lavaram minhas lembranças tão antigas... Afeto trazido por letrinhas e sorrisos guardados num fundo do meu querer, bem lá no fundo mesmo, onde ficam as coisas sagradas. Dentre elas há um rascunho escrito em junho de 2006, onde ele termina questionando se eu iria guardar aquelas palavras... Essas mesmas que estão guardadas na pasta que ele me deu.
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Sempre fui de guardar as coisas importantes, as pessoas queridas, lembranças de sorrisos, do que senti ao atingir minhas pequenas-grandes metas, como no dia que não precisei de ajuda para abrir a torneira do chuveiro, bastava ficar na ponta dos pés e eu girava a torneira e a água lavava também os meus sorrisos. Comecei desde muito cedo a juntar meu tesouro, a saber distinguir o que é descartável e o que vale a pena ter para sempre.
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Hoje eu senti falta do silêncio de quando eu ficava sozinha em casa, quando a mamãe tava no trabalho. Naquele tempo era tão fácil ter somente a minha companhia e havia dias que só isso me bastava. Nada mais. O silêncio, um livro, luz do dia, um bom encosto para a cabeça e pronto! Se chovesse era melhor, meu silêncio dançava com o barulho da chuva. Mas nem sempre era assim. Ás vezes a solidão vinha junto e por mais que eu quisesse quebrar o silêncio, nenhuma música, som do vento, da TV ou de vozes era capaz de me tirar dessa ilha sem barco.
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Eu não sei se é normal, mas ás vezes eu me sinto à deriva sem nenhum motivo aparente. No fundo, bem lá no fundo, acho que sou uma pessoa triste que fica alegre na maior parte do tempo. Contraditório não? Mas tem coisas assim, que não se explicam e dane-se a psicologia, os livros de auto-ajuda, a tal da lei da atração e o escambau! Eu quero afeto e açúcar, açúcar com afeto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Saber Amar.

Fico pensando em coisas que não deveriam acabar, mas que se esgotam por mérito exclusivo da estupidez do ser humano. Este ser humano, tantas vezes idiota que frequentemente é artífice do seu próprio sofrimento.
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Falo de coisas que quando vão arrancam pedaço, deixam saudade. Coisas muito felizes que são destruídas pela máquina letal da ignorância.
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Pensei em relacionamentos que se esvaem não por falta de combustíveis da relação a dois, como amor, companheirismo, amizade ou sexo. Mas por falta de temperança, falta de entendimento de que viver com alguém é um exercício diário de paciência.
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Infelizmente ainda sofremos com os costumes bélicos do homem. Quantas mazelas o mundo carrega porque um povo não se esforça para respeitar o outro? Quantos corpos caem todos os dias pelo mundo afora por motivos fúteis?
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Quão nossas vidas seriam diferentes se incorporássemos em nossos hábitos a tolerância? Mais tolerância com a família, mais tolerância com os amigos, mais tolerância com os colegas de trabalho, e muito, mas muito mais tolerância com o nosso amor.
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Porque esse não está do nosso lado por obrigação. Não há vínculo sanguíneo, nem empregatício que o faça estar ali. O que há é um sentimento que comanda, que enternece e que é a força motriz da vida. Sentimento nobre, mas que precisa de esforço para ser conservado.
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Os amores verdadeiros podem partir por motivos banais. Como uma palavra, um gesto, um único motivo irrelevante que o orgulho e a vaidade impedem de serem perdoados.
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Quando assumimos a responsabilidade de estar com outra pessoa, temos o desafio de reconhecer as nossas limitações e de superá-las, isso é, se o nosso desejo for realmente que aquele ser que amamos possa permanecer feliz ao nosso lado.
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O que ocorre, muitas vezes, é que nosso orgulho besta não nos permite olhar para nossos erros, e damos as costas, fazemos a mala, tiramos a barraca da feira, e cegamente, burramente, estupidamente, jogamos pela janela oportunidades únicas de sermos felizes.
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Ignorem os que lhe dizem pra não valorizar o amor. Os que condenam a paciência, a calma e a confiança. Ignorem os conselhos dos incrédulos, dos que medem a felicidade pelo numero de troféus que vão acumulando na estante. Esses, provavelmente, não sabem ainda o sentimento de paz que o amor tira proveito para incitar revoluções dentro da gente.
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Portanto, se você encontrar por aí alguém que possa chamar de “meu amor”, cuide bem dele. Cuide, respeite, aceite e esforce-se. Vença os sentimentos pequenos e mesquinhos que nos levam a irreflexão e a intransigência. É antes de tudo, um esforço em prol do nosso crescimento pessoal, e que tem recompensa também no afago, no beijo, no carinho e em todos os reais prazeres que só o amor verdadeiro pode proporcionar.
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Se você encontrar por aí um amor, acredite e faça de um tudo, o possível e o impossível para que dê certo. A consciência tranqüila é a única certeza de que no fim tudo se ajeita. Tudo dá certo pra quem se dedica, como um aluno esforçado, à tarefa árdua, porém enobrecedora, de aprender a amar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Perdendo Dentes


Hoje eu sonhei que os meus dentes caíram todos, um por um. Lembro-me que a cena se passava em um ambiente muito humilde, uma rua com terra batida e várias casas sem porta, cujo o único cômodo era protegido por um pano colorido jogado na frente. Eu tinha muitos vizinhos e a movimentação era de comércio, mesmo sem quinquilharias para vender, na verdade, só tinham bancas de doces de esquina, como cocadas e tapioquinhas. Na minha casa nada vendia, só o que se passava era uma menina acordando e saindo debaixo do mosqueteiro. Então, eu sentia um gosto estranho na boca, e passava a língua nos dentes, sentindo-os moles, levantei-me apressada e olhei-me no espelho rachado da parede. Era fácil, muito fácil, assustadoramente fácil de arrancar. Como dentes de leite, eu puxava com os dedos, e saíam, saíam todos, enquanto chorava, chorava, chorava muito. Não de dor, porque não doía, mas de desfalque, sentindo minha vaidade escorrendo pelo ralo da pia em forma de água vermelha. Surgiam figuras conhecidas ao redor, tentando me consolar ou dizendo que tudo se resolveria com a descoberta de um novo tratamento para crianças. E me mostravam modelos de arcadas infantis, todos com o mesmo problema que o meu, mas eu não ouvia, eu só pensava em sair correndo pela rua de terra batida, mesmo mutilada, mesmo sangrando, mesmo sem dentes.
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Não lembro o momento que dividiu um sonho de outro, mas lembro que antes de acordar, ainda dormindo, pensei nas horas mais cedo, em que tive outro sonho, dessa vez com o cara De Azul. Encontrávamos-nos na minha própria casa, mas era diferente, porque a minha casa não era bem familiar. Havia sempre uma meia luz, exceto na cozinha e no quarto, neste último, ainda funcionava um abajur de luz amarela. Então, a gente deitava junto, se abraçava, encostava o corpo no outro como velhos conhecidos, e era mesmo alguém próximo e conhecido e íntimo e amado, mas não lhe pertenciam aquele corpo e aquele rosto. O engraçado era que eu sabia que era Ele, mesmo no corpo de outro, fazendo da nossa intimidade recapitulações de um passado, com uma pequena diferença, era possível se aproximar e deitar junto e se abraçar, mas a gente não se beijava. Era impossível, não podia, tinha ali um quê de heresia que eu não entedia, ou melhor, entendia e cumpria, e mais, era como se isso instigasse ainda mais a vontade de permanecermos juntos, percebendo que mesmo em sonhos o difícil e proibido é encantador, inebriando corações à procura de desafios.
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Mas como eu ia dizendo, antes de acordar, associei a relação herege com a perda dos dentes, achando que um era ligado ao outro, parecendo punição, ação e reação, sei lá, só sei que pareciam tão ligados e absolutamente tão reais que me desesperei e acordei chorando, tocando os dedos nos dentes que permaneciam na boca. Já não é de hoje que tenho sonhos assim, tão reais. Eles me encantam e me apavoram com a mesma intensidade, porque, se faz parte do inconsciente, vêm em mim os motivos de tais sonhos, questionando os porquês, as fraquezas, as ânsias e as frustrações, porque, você sabe, parte do nosso aprendizado vem justamente das frustrações, daquilo que criamos e aumentamos nas fantasias, aliás, todas as expectativas se baseiam nas ilusões que fazemos das pessoas e daquilo que queremos para nós, o amor é construído pela fantasia que criamos a cerca dele, a decepção acontece pela idealização de alguém que consideramos perfeito para a convivência conosco e etecétera. Os sonhos seriam então a realização de desejos, disfarçados ou não, satisfeitos em pleno campo psíquico. Seria eu, então, querendo o quê, afinal?
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A verdade é que se enlouquece pensando nos seus significados, porque as possiblidades são infinitas, e se Freud diria que eram desejos internos, a sabedoria popular diz que sonhar com dentes caindo é sinal de morte. Ou então, pode ser considerada a perda de alguma capacidade de defesa ou tem haver com a auto-estima, já que os dentes influenciam esteticamente na aparência, enfim. Prefiro parar de pensar. Eu sonho demais sempre, sonho com pessoas desconhecidas, com conhecidos que mal vejo, lugares que nunca estive e que depois conheci, inclusive, já passei anos sonhando com a mesma coisa, uma mão, sozinha, aparecendo no meio dos sonhos. Era assustador. Faz muito tempo que isso não acontece e nunca procurei saber o significado, mas lembro bem que rezava muito para que parasse. Ultimamente, os sonhos têm sido constantes e muito reais pro meu gosto. Não sei se é pior a insônia acordada ou os pesadelos dormindo. Preciso cuidar da alma. Preciso cuidar do meu espírito e da mente, rezar mais do jeito que a minha avó me ensinou: “Meu Deus, dê uma boa noite de sono pro meu pai, pra minha mãe, pros meus irmãos, a mim mesma e a toda a minha família e amigos, dai-nos uma boa noite, sem pesadelos”. Eu sinto as mãos de unhas bem cuidadas segurando a minha mão de criança e falando em voz alta essa frase quando acordei de madrugada. É engraçado como lembranças podem ser claras, como sonhos podem ser reais e como o presente é influenciado por tudo isso.
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EU HEIN.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pela Raiz



O relacionamento já havia terminado há uma semana quando o interfone tocou. Era o porteiro informando que ele estava lá embaixo pedindo pra que ela descesse. Não o esperava, mas desceu por respeito ao relacionamento que existira e fora sepultado recentemente.
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Encontrou-o com cara de luto. Ele abriu a porta do carro por dentro mesmo e ela entrou. Por milésimos de segundo ela não soube como cumprimentá-lo: um beijo no rosto? Um abraço carinhoso? Decidiu ficar imóvel e respeitar a tensão que crepitava nos olhos dele. Colocou um sorriso leve nos lábios, torcendo para que não fosse mal interpretada. Queria apenas trazer leveza ao encontro, não desejava magoá-lo ainda mais.
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- Vim aqui porque preciso saber...
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Mal dita a frase, ele virou-se em direção ao banco traseiro do carro e pegou uma sacola de loja de shopping. Colocou-a no colo e começou a retirar cartas e fotos, atirando-as convulsivamente pelo painel do carro, pelo chão, pelos bancos. Eram as cartas que ela enviara pra ele durante 5 anos de relacionamento. Eram as fotos deles voando como fagulhas sem destino, enquanto ele falava com o tom de voz alterado:
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- Isso não significou nada pra você? Tudo isso foi uma mentira? Você não sente mais nada? Não deseja as mesmas coisas? Não quer mais um futuro ao meu lado? O que aconteceu?
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As lágrimas escorriam do rosto dele. Enquanto as mãos se alternavam entre atirar pedaços de papel, amassar algumas folhas e aninhar outras próximas ao peito.
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Ela segurou as lágrimas. Engoliu o choro. Ensaiou mentalmente a sua voz mais doce e calma e disse a ele:
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- Significou muito. Foi tudo verdade. Cada palavra, cada desejo, cada sonho aí descrito. Foi com você que eu aprendi o que é um relacionamento de verdade. Mas o tempo passou, eu mudei e fui percebendo que tenho outros sonhos. Não posso me trancar na nossa vida sem ter outras experiências lá fora. Nós nos conhecemos jovens demais...
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Enquanto ela ia falando, as mãos dele apertavam com mais força cada pedaço de papel. Ele não a olhava nos olhos. As lágrimas ainda caíam.
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- Mas pra mim não mudou. Ainda quero você.
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- Fomos nos afastando a ponto de as sintonias ficarem diferentes. Não é culpa sua, nem minha. Acontece.
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- O que precisa ser mudado? Eu mudo! O que você quer de mim?
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Ela percebeu que o corte deveria ser drástico. Não seria possível minimizar o sofrimento dele. É imprescindível chorar pelos mortos. Ele precisaria odiá-la primeiro para depois poder seguir em frente. Não criaria ilusões e nem manteria sua fé. Respirou fundo. Calculou seu tom de voz mais frio e seu olhar mais duro:
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- Eu te amei, sim. Mas isso acabou. A gente acabou. E se você ler com cuidado o que vinha te escrevendo, vai perceber que há um tempo as coisas estavam mudando pra mim. Eu preciso sair por essa porta agora e não quero mais que você me procure. Preciso seguir em frente e quero que você faça o mesmo. Sempre terei muito carinho por você, pelo que vivemos. Desejo que seja feliz. Mas não vou ficar aqui velando defuntos. Então me deixa ir. Acabou de verdade.
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Ele havia parado de chorar. Estava inerte, encostado no banco, com os olhos perdidos além do vidro da frente. Ela lhe deu um rápido beijo na face, saindo do carro sem olhar pra trás. Era a coisa certa a fazer. As rupturas às vezes devem ser feitas de maneira fria. Não há espaço para a delicadeza quando se mata algo. O jeito é enterrar com decência e seguir a vida. Para que um dia o outro perceba que há muito as ervas daninhas cresciam em volta daquela linda flor que fora arrancada da terra.

Eu me basto.

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em alguém, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas. Temos que nos bastar, nos bastar sempre.E, quando procurarmos estar com alguém, fazer isso cientes de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.As pessoas não se precisam. Elas se completam não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Eu quero.

Eu quero mesmo é que passe, passe tudo e fique apenas o que se modifique, o que é bom, o que é sempre sorriso. Quero mesmo é esquecer um monte de detalhe, esquecer dias e meses, mas lembrar do abraço e do cheiro, do cabelo. Quero mesmo é não entender, que é para poder pensar e sonhar e desejar o novo de novo, o diferente, o ausente. Não quero esse negócio de ter certeza, coisa de para sempre, quero nada. Quero é sentir frio na barriga, apaixonar todo dia, por tudo, todo mundo, todo canto, pelo encanto e pelo beijo, aquele nó, aquele vento, a pele marcada. E quero fazer tudo isso olhando para o mar, transbordando em oceanos, pode ser pacífico, atlântico ou índico, e que venha o vermelho, o azul, o amarelo, as cores, os temperos e texturas.

Mudanças em mim.

Cada dia em minha vida aprendo uma lição, os meus erros me ajudam a crescer e meus acertos me fortalecem e me fazem renascer. E assim poderei dizer o que já fui, e o que sou, mas o que eu serei nem eu mesma sei. O meu amanhã depende dos meus erros e acertos de hoje, e por isso hoje vou errar, acertar e viver... :)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Para o fim.

Oh, querido por favor, não mexa nisto, é tudo o que sobrou de nós dois. Nós precisamos disso, para continuarmos coexistindo em algum lugar que já foi nosso.

Abstrair.

Se revoltou contra o tempo e correu pra chuva,pareceu que estava chorando, mas não há comoe nem por que voltar, os caminhos separadosseguem juntos até o mesmo final.

Como posso pagar.

Pois, em dias como hoje, só tenho me permitido lagrimar em intervalo de um espirro a outro, num intervalo alérgico a outro tal. Apenas para não deixar olhos estes, secarem, que me permitem apaziguar ao redor toda a noção sentimental que já não tenho. Vós que desejais acordar direta e feita para a vida, não deitas a cabeça pensando num dia melhor, por que não é feito dias melhores à ninguém, pois destino só condiz com a palavra de antigos, e acaso só desfaz ocasiões próximas. Eu não vivo desacreditando, só permaneço espalhado no ar, preferido o sal dos outros e realinhado qualquer transfusão minha, para comprovação existencial, quando hei de ceder, hei também de encontrar o realinho afirmadamente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Agora eu entendi.

Agora eu entendi que não basta causar indiferença, que revigorar as melhores partes não é a única solução, e guardar o melhor não faz jus as outras partes que desconheci. Agora eu entendi do por que cortar laços, do por que a carne é fraca. Agora eu entendi por que não queres meus cigarros,por que não me olhas a fundo, olho por olho. Agora eu entendi teu risco, agora eu entendi comopodes se ferrar e agora eu entendi por que fazes o teu melhor pra não estragar isso. Agora eu entendi que fico feliz-triste, agora eu entendi, entende? agora sim eu entendi você um pouco melhor.

Com/sem nexo.

O tempo se perdeu do fluxo continuo, não existe mais limites para o que sinto e como sinto, porém consigo levar. Poderia eu deixar de complicar, tentar enquadrar a minha vida, num parâmetro qualquer, me enfiar numa esquina ou ruela, procurar algo muito difícil, do qual eu sei que dou conta, entretanto não, isto não foi feito pra mim, só consigo gostar do que me estraga, do que me fere e do que me agrada com eloquência, só consigo levar adiante se não for quieto, se permanecer intenso, nem que seja apenas em minha mente. Então me faltam lágrimas e me faltam vozes grosseiras, me falta espaço em quarto e me falta esquecer o que fui, me falta lembrar o que fui, me falta, sempre. Músicas sem agrado algum, pessoas sem chamativo algum, lugares sem animação, não é por ser apenas monocromático, não é por estar na mesmice, sempre, tem mais a ver com evaporação de espírito, está mais ligado ao sentimentalismo inexpressado, a falta do que sentir, a falta do que criar. Tudo se resumi em falta e risco, um completando o outro. Então falta-se riscos, falta-me brilho intenso, pois tudo me distrai, e eu perco o alinhamento da mente-coração, eu me envolvo em qualquer saída inapropriada, apenas para me manter fora de foco, apenas para um diferencial pessoal, eu necessito forjar, mas com tudo, eu canso.

Pela necessidade.

Hoje eu senti a necessidade extrema (ou nem tanto assim) de me dar um futuro, de ter meus planos a longo prazo e criar algo que seja sólido, apenas para o meu próprio bem estar, apenas para que eu possa crescer mais e mais, pois estou sentindo que nada tem surtido tanto efeito, não como poderia, não como antes fazia, pois agora as novidades antigas voltaram a ser novidades, com extras e direito a bastidores, sim, voltaremos aquelas ideias.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

...

Quando estamos alegres temos muitas companhias, mas quando estamos tristes todo mundo desaparece.
Eu quero que tudo siga bem, eu quero mais fé, eu quero crer que vou me recuperar logo! Eu não aguento mais.. e todos os dias me questiono o que eu fiz de errado, meu DEUS??
ME AJUDAAAA!
ME CURAAA!
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