Fico pensando em coisas que não deveriam acabar, mas que se esgotam por mérito exclusivo da estupidez do ser humano. Este ser humano, tantas vezes idiota que frequentemente é artífice do seu próprio sofrimento.
.
Falo de coisas que quando vão arrancam pedaço, deixam saudade. Coisas muito felizes que são destruídas pela máquina letal da ignorância.
.
Pensei em relacionamentos que se esvaem não por falta de combustíveis da relação a dois, como amor, companheirismo, amizade ou sexo. Mas por falta de temperança, falta de entendimento de que viver com alguém é um exercício diário de paciência.
.
Infelizmente ainda sofremos com os costumes bélicos do homem. Quantas mazelas o mundo carrega porque um povo não se esforça para respeitar o outro? Quantos corpos caem todos os dias pelo mundo afora por motivos fúteis?
.
Quão nossas vidas seriam diferentes se incorporássemos em nossos hábitos a tolerância? Mais tolerância com a família, mais tolerância com os amigos, mais tolerância com os colegas de trabalho, e muito, mas muito mais tolerância com o nosso amor.
.
Porque esse não está do nosso lado por obrigação. Não há vínculo sanguíneo, nem empregatício que o faça estar ali. O que há é um sentimento que comanda, que enternece e que é a força motriz da vida. Sentimento nobre, mas que precisa de esforço para ser conservado.
.
Os amores verdadeiros podem partir por motivos banais. Como uma palavra, um gesto, um único motivo irrelevante que o orgulho e a vaidade impedem de serem perdoados.
.
Quando assumimos a responsabilidade de estar com outra pessoa, temos o desafio de reconhecer as nossas limitações e de superá-las, isso é, se o nosso desejo for realmente que aquele ser que amamos possa permanecer feliz ao nosso lado.
.
O que ocorre, muitas vezes, é que nosso orgulho besta não nos permite olhar para nossos erros, e damos as costas, fazemos a mala, tiramos a barraca da feira, e cegamente, burramente, estupidamente, jogamos pela janela oportunidades únicas de sermos felizes.
.
Ignorem os que lhe dizem pra não valorizar o amor. Os que condenam a paciência, a calma e a confiança. Ignorem os conselhos dos incrédulos, dos que medem a felicidade pelo numero de troféus que vão acumulando na estante. Esses, provavelmente, não sabem ainda o sentimento de paz que o amor tira proveito para incitar revoluções dentro da gente.
.
Portanto, se você encontrar por aí alguém que possa chamar de “meu amor”, cuide bem dele. Cuide, respeite, aceite e esforce-se. Vença os sentimentos pequenos e mesquinhos que nos levam a irreflexão e a intransigência. É antes de tudo, um esforço em prol do nosso crescimento pessoal, e que tem recompensa também no afago, no beijo, no carinho e em todos os reais prazeres que só o amor verdadeiro pode proporcionar.
.
Se você encontrar por aí um amor, acredite e faça de um tudo, o possível e o impossível para que dê certo. A consciência tranqüila é a única certeza de que no fim tudo se ajeita. Tudo dá certo pra quem se dedica, como um aluno esforçado, à tarefa árdua, porém enobrecedora, de aprender a amar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário